Edgar Allan Poe

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Soube recriar como ninguém a atmosfera de penumbra e mistério, o que o marcou como um dos mestres da literatura contemporânea. Além de ser um expoente inigualável da literatura gótica e de terror, Poe foi o criador do gênero policial e um autor pioneiro na ficção cientifica.

04edgar_allan_poeNa vida deste genial escritor romântico, podem ser rastreados muitos traços que fazem de seus textos obras cultuadas por milhões de leitores. Sua atração pelo abismo, sua aura de terror e seu aprofundamento nos mistérios da vida e da morte estão muito longe de serem meros temas poéticos, e sim questões muito arraigadas à existência do Poeta.

Quando a crítica recebeu sua obra situando-a sob a influência da fantasia de autores alemães, Poe replicou: “Sim, muitas das minhas produções tiveram como tese o terror, mas afirmo que esse terror não vem da Alemanha, mas da alma”. Na verdade, boa parte do fascínio que seus textos despertam é o resultado de sua autencidade e do seu estreito vínculo com a vida e a morte.

A obsessão pela morte

A morte, por exemplo, teve uma presença constante e obsessiva em sua vida. Edgar Poe, nascido em 1809, foi01edgar_allan_poe abandonado por seu pai quando tinha 1 ano, e no ano seguinte perdeu a mãe. Acolhido por um casal de sobrenome Allan, o poeta nunca deu bem com o padastro, que nem sequer lhe comunicou, durante a temporada de dois anos que Poe passou no Exército,a notícia da doença e morte de sua madrasta , a quem ele queria muito bem. Poe só conseguiu chegar à sua tumba no dia seguinte ao funeral e caiu inconsciente sobre ela, tomado pela comoção. Esta não seria a última vez que o poeta choraria a morte de uma mulher amada sobre a sua tumba. Em 1842, apareceram os primeiros sintomas de tuberculose de sua mulher, Virginia Eliza Clemm. Ela resistiu à doença até 1847, período em que Poe viveu com intensa angústia e desespero, e resistiu à dor da perda de sua adorada esposa por apenas dois anos, até 1849, quando morreu. A experiência traumática da perda de um ente querido se converteria no tema central de ensaios, como Eureka ou O Colóquio de Monos e Una ou dos célebres poemas, como “Ulalume”, “Annabel Lee” e, acima de todos, “o Corvo”, o tido como um dos poemas mais trágicos de todos os tempos.

A alma sombria do Romantismo

02edgar_allan_poeA obra de Poe esta inserida no denominado “Romantismo Sombrio” que apresenta indivíduos propensos ao pecado e à autodestruição, que cria imagens antropomorfas do mal – como Satanás, diabos, fantasmas, vampiros, etc. -, vê o mundo através de uma luz sinistra e encobridora do mal infernal, motivo pelo qual mantém uma postura profundamente fatalista diante da vida. Os contos de terror são os mais representativos da obra de Poe, mas os relatos de crimes protagonizados por Auguste Dupin, personagem que inspirou o Sherlock Holmes de Conan Doyle, também mostram esse fascínio pelo horror.

O funesto grasnar de um corvo

As obras mais conhecidas de Poe são góticas, um gênero que ele seguiu para satisfazer sua alma e ao mesmo tempo o gosto do público. Seus temas mais recorrentes lidam com questões da morte, incluindo sinais físicos dela, os efeitos da decomposição, interesses por pessoas enterradas vivas, a reanimação dos mortos e o luto. Por este motivo, conforme já vimos, muitas das suas obras são geralmente consideradas partes do gênero do romantismo sombrio, uma reação literária ao transcendentalismo, do qual Poe fortemente não gostava.

07edgar-alan-poeAlém do horror, Poe também escreveu sátiras, contos de humor e hoaxes (“embuste” numa tradução literal, ou farsa). Para efeito cômico, ele usou a ironia e a extravagância do ridículo, muitas vezes na tentativa de liberar o leitor da conformidade cultural. De fato, “Metzengerstein”, a primeira história que Poe publicou, e sua primeira incursão em terror, foi originalmente concebida como uma paródia satirizando o gênero popular. Poe também reinventou a ficção científica, respondendo na sua escrita às tecnologias emergentes como balões de ar quente em “The Balloon-Hoax”.

Poe escreveu muito de seu trabalho usando temas especificamente oferecidos para os gostos do mercado em massa. Para esse fim, sua ficção incluiu muitas vezes elementos da popular pseudociência (qualquer tipo de informação que se diz ser baseada em factos científicos, ou mesmo como tendo um alto padrão de conhecimento, mas que não resulta da aplicação de métodos científicos), como frenologia  (é uma teoria que reivindica ser capaz de determinar o caráter, características da personalidade, e grau de criminalidade pela forma da cabeça (lendo “caroços ou protuberâncias”)) e fisiognomia (teve sua origem na Índia, quando antigos habitantes daquele país estudavam rugas no corpo, as causas e as origens das mesmas.).

A escrita de Poe reflete suas teorias literárias, que ele apresentou em sua crítica e também em peças literárias como “The Poetic Principle”. Ele não gostava de didatismo e alegoria, pois acreditava que os significados na literatura deveriam ser uma subcorrente sob a superfície. Trabalhos com significados óbvios, ele escreveu, deixam de ser arte.  Acreditava que o trabalho de qualidade deveria ser breve e concentrar-se em um efeito específico e único. Para isso, acreditava que o escritor deveria calcular cuidadosamente todos sentimentos e ideias.

Em “The Philosophy of Composition”, uma peça na qual Poe descreve seu método de escrita em “The Raven” O Corvo), ele afirma ter seguido estritamente este método. Porém, foi questionado se ele realmente seguiu esse sistema. T. S. Eliot disse: “É difícil para nós lermos esta peça sem pensar se Poe escreveu seu poema com tanto cálculo, ele poderia ter pego um pouco mais de dores sobre isto: o resultado dificilmente tem crédito ao método”. O biógrafo Joseph Wood Krutch descreveu a peça como “um exercício um tanto engenhoso na arte de racionalização”.

Influência Literária

Durante sua vida, Poe era sobretudo conhecido como um crítico literário. James Russell Lowell, também crítico, dizia que ele era “o mais distinto, filosófico e destemido crítico de obras que tem escrito na América”, sugerindo – retoricamente – que ele ocasionalmente usava ácido prússico ao invés de tinta. As críticas cáusticas de Poe fizeram com que ele ganhasse o apelido de “Homem Tomahawk”. Seu alvo favorito era o poeta de Boston, aclamado em sua época, Henry Wadsworth Longfellow, que era frequentemente defendido por seus companheiros literários no que seria mais tarde chamada de “A Guerra de Longfellow”. Poe acusava Longfellow de “a heresia da didática”, escrevendo poesias enfadonhas, derivativas e tematicamente plagiadas.

03edgar_allan_poePoe também era conhecido como um escritor de ficção e se tornou um dos primeiros escritores americanos do século XIX a se tornar mais popular na Europa do que nos Estados Unidos. Poe era respeitado especialmente na França, em parte devido as traduções sem demora de Charles Baudelaire, estas que vieram a se tornar as edições definitivas das obras de Poe pela Europa.

Os contos de detetive de Poe com o personagem C. Auguste Dupin acabariam por se tornar a base para as futuras historias de detetive da literatura. Segundo sir Arthur Conan Doyle: “Cada uma [das estórias de detetive de Poe] é uma raiz da qual toda uma literatura se desenvolveu…. Onde estavam as estórias de detetives antes de Poe soprar o sopro da vida nelas?” A associação Mystery Writers of America nomeou seus prêmios para a excelência no gênero de “Edgars”. Poe também influenciou o gênero de ficção cientifica, especialmente Jules Verne, que escreveu uma continuação para o romance de Poe A Narrativa de Arthur Gordon Pym chamada An Antarctic Mystery, também conhecida como The Sphinx of the Ice Fields. Segundo o autor de ficção cientifica H. G. Wells, “Pym conta o que uma mente muito inteligente poderia imaginar sobre o polo sul a um século atrás.”

Assim como diversos artistas famosos, as obras de Poe geraram diversos imitadores. Uma interessante tendência entre os imitadores de Poe, no entanto, eram as alegações de clarividentes ou pessoas com poderes paranormais de estarem canalizando poemas do espírito de Poe. O mais notavel destes casos foi o de Lizzie Doten, que em 1863 publicou Poems from the Inner Life, no qual ela alega ter “recebido” novas obras pelo espírito do autor. Estas obras constituíam de retrabalhos de poemas famosos de Poe como The Bells mas que refletiam uma nova perspectiva, mais positiva.

No entanto, Poe também era alvo de criticismo. Isto era parcialmente devido a visão negativa que existia devido ao seu carácter pessoal e a influência que este tinha em sua reputação. William Butler Yeats ocasionalmente criticava Poe e uma vez chegou a chama-lo de “vulgar”. Transcendentalista Ralph Waldo Emerson reagiu ao poema “O Corvo” dizendo que “não via nada de mais nele”, referindo-se a Poe de modo zombeteiro como “the jingle man“. Aldous Huxley escreveu que a composição literária de Poe “cai na vulgaridade” por ser “muito poética” – o equivalente a usar um anel de diamantes em cada dedo.

Acredita-se que apenas doze cópias do primeiro livro de Poe, Tamerlane and Other Poems, ainda existem. Em dezembro de 2009, foi vendida uma cópia na sociedade de leilões Christie’s, em Nova Iorque, por seiscentos e sessenta dois mil e 500 dólares, um preço record pago por uma obra da literatura americana.

Física e Cosmologia

05edgar_allan_poeEureka: Um poema em prosa, dissertação escrita em 1848, contém uma teoria cosmológica que previu a teoria do Big Bang oitenta anos antes do seu surgimento, assim como uma solução plausível para o paradoxo de Olbers ( Em astrofísica, o paradoxo de Olbers (ou paradoxo da noite escura) argumenta que a escuridão do céu está em contradição com a hipótese de um universo infinito e estático. A escuridão do céu é uma das evidências da não estaticidade do universo, como no modelo do Big Bang do universo. Se o universo fosse estático e populado por uma quantidade infinita de estrelas, qualquer linha de visão partindo da terra coincidiria provavelmente com uma estrela suficientemente luminosa, de forma que o céu seria completamente brilhante. Isso contradiz a observação do céu predominantemente escuro.). Poe ignorou o método cientifico em Eureka e ao invés disso escreveu utilizando apenas sua intuição. Por esta razão ele a considerou uma obra de arte ao invés de um trabalho cientifico, mas insistiu que ainda assim era verdadeiro e considerou ser a obra prima de sua carreira. Ainda assim Eureka esta repleta de erros científicos. Em particular, as sugestões de Poe ignoram as leis de Newton relacionadas a densidade e rotação de planetas.

Criptografia

06edgar_allan_poePoe tinha um grande interesse em criptografia. Ele notou pela primeira vez suas habilidades no periódico da Filadélfia Alexander’s Weekly (Express) Messenger que estava convidando leitores a submeterem cifras, o qual ele procedeu a resolver. Em julho de 1841, Poe escreveu um artigo chamado “Algumas palavras sobre Escrita Secreta” no periódico Graham’s Magazine. Se aproveitando do interesse publico no tópico, ele escreveu “O Escaravelho de Ouro” incorporando cifras como parte essencial da estoria. O sucesso de Poe com criptografia não dependia muito em seu conhecimento profundo do campo (seu método era limitado a simples cifra de substituição), mas sim no conhecimento adquirido da cultura de jornais e periódicos. Sua afiada habilidade analítica, tão evidente em suas estorias de detetive, permitia que ele visse que o publico em geral não possuía o conhecimento necessário para saber como um simples criptograma de substituição possa ser resolvido, e ele usava isso a seu favor. A comoção criada por suas façanhas criptográficas desempenhou um papel importante em popularizar criptogramas em jornais e revistas.

Poe teve uma influência na criptografia alem de incrementar o interesse publico durante sua vida. William Friedman, um dos principais criptologistas da América, foi profundamente influenciado por Poe. O interesse inicial de Friedman por criptografia veio após ler “O Escaravelho de Ouro” quando criança, interesse que mais tarde seria posto em uso para decifrar códigos da maquina PURPLE (, pertencente ao Japão, durante a segunda guerra mundial.

Obras

Contos

  • 1833 – Ms.Found In a Bottle
  • 1835 – Berenice
  • 1835 – Morella
  • 1838 – Ligeia
  • 1839 – A Queda da Casa de Usher (“The Fall of the House of Usher“)
  • 1839 – William Wilson
  • 1841 – Os Assassinatos da Rua Morgue (“The Murders in the Rue Morgue“)
  • 1841 – A Descent Into the Maelstrom
  • 1842 – O Retrato Oval (“The Oval Portrait“)
  • 1842 – A Máscara da Morte Rubra (“The Masque of the Red Death“)
  • 1842 – O Mistério de Marie Rogêt (“The Mystery of Marie Rogêt“)
  • 1842 – O Poço e o Pêndulo (“The Pit and the Pendulum“)
  • 1843 – O Coração Revelador (“Tell Tale Heart“)
  • 1843 – O Escaravelho de Ouro (“The Gold-Bug“)
  • 1843 – O Gato Preto (“The Black Cat“)
  • 1844 – O Enterro Prematuro (“The Premature Burial“)
  • 1844 – A Carta Roubada (“The Purloined Letter“)
  • 1845 – O Demônio da Perversidade (“The Imp of the Perverse“)
  • 1845 – The System of Doctor Tarr and Professor Fether
  • 1845 – Os Fatos que Envolveram o Caso Mr.Valdemar (“The Facts in the Case of M. Valdemar“)
  • 1846 – O Barril de Amontillado (“The Cask of Amontillado“)
  • 1849 – Hop-Frog ou Os Oito Orangotangos Acorrentados
Poesia

  • 1827 – Tamerlane
  • 1829 – Al Aaraaf
  • 1830 – Alone
  • 1831 – The City in the Sea
  • 1833 – The Coliseum
  • 1837 – O Verme Vencedor (“The Conqueror Worm“)
  • 1839 – The Haunted Palace
  • 1840 – Silence
  • 1843 – Lenore
  • 1845 – Eulalie
  • 1845 – O Corvo (“The Raven“)
  • 1847 – Ulalume
  • 1848 – To Helen
  • 1849 – A Dream Within a Dream
  • 1849 – Eldorado
  • 1849 – Annabel Lee
  • 1849 – The Bells

Outras obras

  • 1838 – A Narrativa de Arthur Gordon Pym (“The Narrative of Arthur Gordon Pym of Nantucket“)
  • 1844 – The Balloon Hoax
  • 1846 – The Philosophy of Composition
  • 1848 – Eureka

Morte de Edgar Allan Poe

08EdgarAllanPoeGraveMausoléu onde jaz o corpo de Poe, no Westminster Hall and Burying Ground.

A  morte de Edgar Allan Poe ocorreu no dia 7 de outubro de 1849, quando o escritor tinha quarenta anos de idade. Cercada de mistério, sua causa ainda é discutida. Quatro dias antes de falecer, Poe foi encontrado nas ruas de Baltimore, Maryland, em um estado delirante. Segundo Joseph W. Walker, a pessoa que o encontrou, o escritor estava “muito angustiado, e (…) precisava de ajuda imediata”. Poe foi levado ao hospital da Universidade Washington (Washington College Hospital), onde morreu num domingo, às 5 horas de 7 de outubro. Em nenhum momento o escritor contou com a lucidez necessária para explicar de forma coerente como havia chegado àquele estado.

Grande parte da informação existente sobre os últimos dias de sua vida provém do médico John Joseph Moran, que o tratou no hospital. Depois de um pequeno funeral, Poe foi enterrado no cemitério anexo à igreja de Westminster(Westminster Hall and Burying Ground) mas, anos mais tarde, em 1875, seus restos mortais foram transferidos para um monumento maior. Este último marca também o lugar de enterro de sua esposa, Virginia, e o de sua sogra, Maria Clemm.

As teorias sobre as causas da morte do escritor incluem suicídio, assassinato, cólera, raiva, sífilis e ter sido capturado por agentes eleitorais que o teriam forçado a beber para fazê-lo votar e abandonaram-no, já em estado de embriaguez, à sua sorte. Contudo, a evidência a respeito da influência do álcool é incerta.

Dois dias depois da morte de Poe, apareceu um obituário assinado por “Ludwig”, que logo se revelou sendo, na verdade, o crítico e antologista Rufus Wilmot Griswold, que mais tarde se converteu no executor literário efetivo das obras de Poe, apesar de ter sido um de seus rivais, e que posteriormente publicou a sua primeira biografia completa, retratando-o como um depravado, bêbado e louco tomado pelas drogas, chegando inclusive a falsificar cartas do poeta como prova disso. Acredita-se que grande parte das evidências utilizadas para construir essa imagem foram forjadas por Griswold e, apesar de muitos amigos de Poe terem denunciado o biógrafo, foi a interpretação que teve um impacto mais duradouro no meio popular.

Até a próxima!!!

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